Quase 60% dos baianos querem a saída de Bolsonaro

Mais da metade dos baianos acham que o presidente Jair Bolsonaro (sem partido) deve deixar o cargo. É o que mostra a sexta e última rodada da pesquisa promovida pelo Grupo A TARDE em parceria com o instituto Data Poder 360, núcleo de pesquisa do jornal digital Poder 360.

O número se manteve estável, mesmo com o escândalo político da prisão do ex-assessor do senador Flávio Bolsonaro (Republicanos-RJ), Fabrício Queiroz, em um sítio de propriedade do ex-advogado da família Bolsonaro, Frederick Wassef.

A pesquisa ouviu, por telefone, 3.300 pessoas em 174 cidades da Bahia, de 22 a 24 de junho, dividida em dois cenários: Salvador e Bahia. A margem de erro é de 3,5 pontos percentuais para Salvador 2 pontos no estado, com intervalo de confiança de 95%. Sessenta e cinco por cento dos entrevistados na capital afirmaram que o presidente da República deveria deixar o cargo.

O número dos que pedem a manutenção de Bolsonaro à frente da nação ficou em 26%, índice igual ao de Salvador. No estado, os que não querem que o presidente continue comandando o país são 59%. O número dos que pedem a saída do presidente dialoga com aqueles que avaliam o seu governo como ruim e péssimo: 65%% dos consultados em Salvador e 59% no estado. A taxa dos que consideram o governo Bolsonaro bom e ótimo em Salvador e no interior do estado ficou dentro da margem de erro, sendo 26% na capital e 27% no estado.

Questionados se a prisão de Fabrício Queiroz, ex-assessor do senador Flávio Bolsonaro, poderia trazer implicações para Jair Bolsonaro, o número dos que acreditam que sim foi maior em Salvador do que no interior do estado: 62% contra 54% dos consultados.

“Parece que o eleitorado bolsonarista, digamos, mais orgânico, começa a questionar, com o caso Queiroz, o discurso anti-sistema, anti-corrupção de Bolsonaro. Porque ele acaba, enfim, enxergando que Bolsonaro está no meio desta lambança. Eu acho que o caso Queiroz se apresenta agora como um marco importante, no mínimo, deste questionamento do eleitorado de Bolsonaro quanto a sua posição e com a sua idoneidade, digamos assim”, avalia a professora da Universidade Federal da Bahia (Ufba) e cientista política Carla Galvão.

Rui e Neto seguem bem avaliados

A avaliação do desempenho do prefeito de Salvador, ACM Neto (DEM), e do governador da Bahia, Rui Costa (PT), manteve-se positiva na última rodada de pesquisas promovida pelo Grupo A TARDE e o Instituto Data Poder360, núcleo de pesquisa do jornal digital Poder 360.

Nas últimas três rodadas, a avaliação dos que consideram a gestão do prefeito boa ou ótima oscilou dentro da margem de erro: entre 76% e os atuais 75%. O mesmo aconteceu com os que consideram seu trabalho ruim ou péssimo, que ficou entre 3% e os atuais 8%.

A avaliação do governador da Bahia também manteve-se estável durante todo o período das rodadas da pesquisa, com oscilações pouco acima da margem de erro. Tomando por base as últimas três rodadas, a avaliação boa e ótima da gestão do governador oscilou entre 57% e os atuais 52%, preservado desde a última pesquisa realizada há 15 dias.

A preservação da avaliação de Rui mostra que o episódio da compra de respiradores, que provocou a saída de seu secretário da Casa Civil, Bruno Dauster, não afetou sua avaliação junto aos baianos. Aqueles que classificam a gestão do petista como ruim e péssima ficaram entre 11% e os atuais 15%. A cientista política e professora da Ufba Carla Galvão avalia que as ações conjuntas da prefeitura de Salvador e governo do estado no enfrentamento ao novo coronavírus refletem na avaliação positiva dos gestores.

“A pandemia pôs de lado um conflito grande que existia. Até por fazerem parte de grupos políticos distintos, já havia uma competição intergovernamental muito grande em relação à governança dentro da cidade de Salvador, mas o prefeito ACM Neto e o governador Rui Costa passaram a tratar do enfrentamento da Covid-19 de maneira conjunta, o que reflete positivamente no eleitorado. A pandemia está ensinando em alguma medida que é possível estabelecer pactos para tratar conjuntamente dos problemas que são comuns”, destaca Carla Galvão.

A TARDE procurou o governador, mas foi informado por sua assessoria de que ele não iria se posicionar. O prefeito ACM Neto pontuou que os dados da pesquisa servem de estímulo para trabalhar ainda mais. “Esse resultado é reflexo das ações adotadas pela prefeitura desde o início da pandemia. Antes mesmo da confirmação do primeiro caso da Covid-19 em Salvador, reuni a minha equipe e disse que o nosso principal foco era preservar vidas. A partir daí, passamos a trabalhar 24 horas por dia nesse sentido. Até agora, investimos cerca de R$ 200 milhões diretamente em medidas de combate à pandemia”, disse o prefeito.(A Tarde)

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