Emocionada, Ireuda Silva relembra casos de racismo e defende que debate sobre negro na política não aconteça apenas em período eleitoral

Representatividade negra na política e racismo foram alguns dos temas discutidos pela vereadora Ireuda Silva (Republicanos), durante sua participação no programa Café Duplo, na TV e Rádio Câmara Salvador. Emocionada, a republicana narrou casos de discriminação que já sofreu, o que ainda ocorre mesmo após ter conquistado uma cadeira na Câmara Municipal de Salvador (CMS).

“Vocês não têm noção do que essa gama de comunidade sofre. O que é sofrer bullying, não ter espaço. Sinto uma dor, porque desço lá e sei o que é. Até dentro de escolas, com professores racistas, que não dão o devido apoio, que ignoram… Qual a diferença entre um negro e um branco para que haja tamanha crueldade?”, questionou, comovida. “Passo tanto essas questões que é até difícil. Fui recebida outro dia por um secretário [de forma rude], que por questão de ética não vou citar o nome, mas ficou muito claro que era porque eu era negra. Sei que naquele momento o show que ele estava dando era por ele ser homem, e eu, mulher. Segundo, por eu ser negra”, acrescentou.

Questionada sobre o debate que tem ganhado corpo em torno da necessidade de mais candidatos negros à prefeitura de Salvador em 2020, a republicana, que é presidente da Comissão de Defesa dos Direitos da Mulher e vice da Comissão de Reparação, afirmou que a questão é de suma importância, mas precisa ser discutida todos os dias, e não apenas em períodos eleitorais.

“A primeira coisa que deve ser levada em consideração na escolha de um líder é a condição dele. Essa é a prioridade. E se esse líder for negro, eu vou aplaudir. Não é que devemos escolher alguém tão somente por ser negro. A gente não pode permitir nesse período que se aja no afã de ter o voto da maioria negra. Não é dessa maneira. Não temos só a prefeitura como espaço. Há vários outros na cidade que quando vamos há meia dúzia de negros ocupando espaços. Precisamos olhar como um todo. E faço apelo à gama negra, que não venham se alegrar só por isso. Temos capacidade de ocupar não só a prefeitura. E que isso não venha a ser discutido apenas no período eleitoral. Que alegria fajuta é essa? Onde estão os lugares, dentro das secretarias? Eu quero essa discussão todos os dias”, avaliou. “Se tiver um negro ou negra na chapa, vou ficar feliz. Porque quem sabe da dor do negro é quem é negro. As pessoas falam que é vitimismo. Vai passar pelo que passamos”, acrescentou a republicana.

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